Space Monsters: duas semanas, quatro chefões e um ranking que não acredita em ninguém
O Space Monsters começou como uma piada. O lipp já voava pelo site, então por que não dar uma arma para ele? No dia 7 de outubro saiu a primeira versão: um shoot 'em up no navegador, com meteoros, um chefão e um ranking global. Duas semanas depois ele tem quatro chefões, uma trilha sonora própria e quase toda a arte refeita.
Este é o diário de bordo de como ele chegou até aqui.
Um jogo que cabe numa página
Não tem engine. É um canvas, um arquivo de JavaScript e um servidor em Node sem nenhuma dependência, o mesmo que serve este blog.
As regras são de fliperama:
- Segure para atirar. São 50 tiros por pente, e recarregar leva um tempo. Atirar sem parar tem preço.
- O dash atravessa tudo. É a saída de emergência.
- O super limpa a tela quando a barra enche.
- A cada chefão, uma escolha. Meteoros dourados e chefões derrotados oferecem 1 de 3 upgrades, no estilo roguelite: tiro múltiplo, mísseis teleguiados, raio em cadeia, orbes, drones.
Funciona com mouse, teclado, controle e toque. No celular, a tela fica em pé e o jogo gira junto: os meteoros caem de cima em vez de vir da direita.
Os chefões
Cada chefão entra como no Mega Man: a tela para, a barra de vida enche, ele fala uma frase e a música troca. Hoje são quatro:
- Mother Rock, a rocha com lava por dentro.
- A Nave-Mãe, metal e neon.
- O Devorador, um planeta com boca.
- A Rainha Colmeia, que chegou nesta semana com caçadores e minas.
Cada volta deixa todos mais fortes. Quem quiser só treinar pode ir direto ao treino de chefões, onde o lipp não morre e nada entra no ranking.
Um ranking que não acredita em ninguém
O jogo roda no navegador, então o servidor nunca vê a partida. Ele só ouve o que o navegador conta. Em vez de fingir que isso é seguro, eu fiz o servidor desconfiar:
- Toda partida começa com um token assinado, que guarda a hora de início e só pode ser usado uma vez.
- Junto com a pontuação, o navegador manda o tempo vivo, as estrelas, os raspões, as destruições e os chefões. A pontuação tem que caber entre o mínimo e o máximo que esses números permitem.
- Ninguém sobrevive mais tempo do que passou desde o token, nem pega estrelas mais rápido do que o jogo solta.
Dá para mentir dentro desses limites? Dá. Mas aí a mentira precisa ser bem jogada, e o painel apaga qualquer placar. Para um jogo de portfólio, isso basta.
Arte com brief, não com prompt
A primeira versão usava efeitos de pacotes gratuitos. Eram bons sozinhos, mas não combinavam com a arte pintada dos chefões. Pareciam três jogos diferentes na mesma tela.
Então mudei o processo. Cada lote de arte virou um documento: o que existe, o que está ruim, o tamanho de cada quadro, a paleta, as referências que precisam ir anexadas. Agentes de IA geram a partir do brief, e eu reviso e integro no jogo. Foram quatro lotes:
- FX1: explosões, clarões dos tiros, orbes e o drone.
- UI1: a interface virou um painel de nave, com rebites e neon, em vez de caixas de site.
- SM2: a Rainha Colmeia, os caçadores, as minas, a bomba e o relógio.
- VD2: o Devorador inteiro de novo.
O Devorador merece um parágrafo. Ele ficou gigante (mais da metade fora da tela) e ganhou cinco ataques, mas a arte tinha sido feita para um chefão pequeno. Ampliada três vezes e meia, ficava borrada. Os quadros não batiam entre si, então ele "pulava" quando animava. E o raio, o tentáculo e as fendas eram formas desenhadas em código, lisas demais perto do resto. Foi o primeiro lote em que a regra era refazer tudo, e não remendar.
Som
Os efeitos vêm da biblioteca gratuita da Mixkit, e os chefões riem de você com risadas tiradas da Pixabay e do OpenGameArt. A trilha tem um tema por chefão; o da Rainha Colmeia se chama Swarm Protocol. Dá para ouvir tudo no player da trilha, sem jogar.
O que vem agora
- Um ranking semanal, para o top 10 não ficar parado.
- Equilibrar o Devorador numa luta inteira. A mecânica funciona, mas ninguém testou a dificuldade de ponta a ponta.
- Mais chefões. A Rainha não vai ficar sozinha.
No fim de cada partida agora aparece um cartão com a sua pontuação, pronto para compartilhar. Se você chegar no top 10, me conta. Eu quero saber quem tirou o ACE do primeiro lugar.